Novos leitores.
Numa sociedade que mudou substancialmente, na qual passámos da escassez do pão e da informação para um mundo de obesos e de acesso vertiginoso à informação, existem hoje novos leitores. O excesso e o ritmo acelerado a que a informação se nos torna acessível provoca, é certo, grande desatenção e dispersão, o que perturba o processo de comunicação. Porém, o facto de o cérebro não estar focado num só ponto mas se habituar a diversos estímulos em simultâneo também desenvolve outros mecanismos, não despiciendos. O cérebro torna-se, assim, no dizer de Antonio Rodríguez de las Heras, Director do Instituto de Cultura e Tecnologia da Universidade Carlos I, em Madrid, Professor na Sorbonne e na Universidade de Paris VIII, “um bom engenheiro, que é capaz de construir pontes e continuidades, apesar das descontinuidades da informação”.
O desafio de descobrirem “uma nova geometria dos textos”, num mundo icónico mas no qual o livro faz todo o sentido e busca novas formas de aceder a novos públicos foi lançado a professores, educadores e bibliotecários, presentes no IV Congresso Internacional do Plano Nacional de Leitura, a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian.
Para que, como dizia Mallarmé, citado por Rodríguez de las Heras, o mundo subsista para guardar tudo num livro.

