Biblioteca Escolar

CATA LIVROS

João Paulo Cotrim evidenciou pedagogicamente no ETerna Biblioteca que se pode (e deve) apresentar conteúdos infantis sem ser infantilizante.

Jogos, filmes, livros digitais, entrevistas a escritores... são possíveis no Cata Livros, já com mais de 50 mil visitantes.

Uma prestação pela qual valeu a pena percorrer alguns quilómetros e refletir sobre a leitura na era digital. Esta, sim, uma motivação para a leitura e para os livros.

Um canal para o mundo

‎"A ficção é um canal para o mundo."

Jacinto Lucas Pires, no 9º Encontro ETerna Biblioteca, 5 de nov. de 2011

José Fanha

Não há nada pior do que retirar a complexidade da literatura, afirmou ontem José Fanha, no Encontro ETerna Biblioteca. Não poderia estar mais de acordo.
Nada mais irritante e deformante do que a abordagem chã, que parafraseia o já dito, ou que especula e faz o texto dizer tudo e mais alguma coisa, em contemplo delírio pseudoliterário.

Obrigada, José Fanha, pelo apelo à seriedade do texto literário (mesmo que seja divertido, jocoso, hilariante até). O que vale é que a literatura resiste ao que dela se diz ou faz. Mas receio por alguns alunos quando o olhar que têm sobre o texto literário, ao longo de anos, é o de uma liberdade tal que tudo se pode dizer e pensar a seu respeito. Sim, é verdade. Mas isso faz de nós leitores críticos?

Desmotivação da leitura

Cheguei deliberadamente tarde, como gosto de chegar aos eventos de sábado de manhã, a um ateliê do 9º Encontro ETerna Biblioteca, em Sintra. Intitulava-se "Motivação para a leitura". Qual não é o meu espanto quando, assim que chego, oiço o formador a citar Daniel "PEÑAC", que ele pronunciava à espanhola (com o som ñ, em português nh). E a assembleia, baixinho, corrigia: PENNAC, PENNAC, é francês.

Passa um diapositivo das reiteradas citações do autor de Como um Romance e eis que o formador comenta um dos tipos de leitura: Ler para se informar. E acrescenta: "Ler para se informar é uma seca! Quem discorda? Alguém discorda?"

Discordei, claro. Até porque, se o formador se tivesse informado antes, nomeadamente pela leitura, decerto conheceria a nacionalidade de um autor que citou não uma nem duas vezes mas reiteradamente. É que, para informação, há uma coisa que se chama tradução e não é por ter conhecido Daniel Pennac em castelhano que o mesmo tem de ser de terras de Cervantes.

Por mim, limitei-me a discordar e a sair. Fui para a Periquita... ler. Trazia a motivação dentro de mim.

Mª Carla Crespo (PB)

ETerna Biblioteca

Numa mista alusão à ternura e à eternidade, ETerna Biblioteca é o título do 9º Encontro de Professores e Educadores do Concelho de Sintra sobre Bibliotecas Escolares.

A Biblioteca Escolar Fernão Mendes Pinto estará presente neste evento de motivação e de partilha de leituras, de contacto com livros, autores, ilustradores... Afonso Cruz e o seu Pintor debaixo do lava-loiças são também uma presença anunciada.

MORRESTE-ME

Um livro que ajuda a fazer o luto, quando perdemos alguém e não conseguimos chorar. Um hino à vida, à presença. Uma sugestão literária para o Dia de Finados:

Morreste-me, de José Luís Peixoto

LEITOR DO MÊS

A rubrica que premeia mensalmente o maior leitor da Biblioteca Escolar voltou este ano, agraciando um novo aluno: Emanuel Valente, do 7º ano, turma 6.

Decerto que a leitura contribui em muito para a memória prodigiosa deste menino de 12 anos, que evocou datas e factos da vida de Fernando Pessoa ao apresentar à turma a biografia deste vulto da Literatura, depois de ter lido Chamo-me... Fernando Pessoa, da Didáctica Editora, obra recomendada pelo Plano Nacional de Leitura.

ORELHAS DE BORBOLETA

A Mara tem meias rotas ou dedos curiosos? Tem livros usados ou acariciados por muitas mãos?

Tudo depende da perspetiva. O livro Orelhas de Borboleta, da editora Kalandraka, olha para a Mara com um olhar diferente, levando-a a gostar de si mesma. Uma obra infantil, para pequenos e graúdos, com uma forte incidência na aceitação de si e nas relações de grupo.

Ver aqui o audolivro.

COMO PÔR A PROFESSORA LOUCA EM POUCOS MINUTOS

Inteligentes são os que se deixam seduzir...

Nos seus tempos de estudante, a preocupação do Tiago era ver como pôr a cabeça dos professores à roda. Às vezes enganava-se. Entrava na aula com esse propósito, mas saía preso pela literatura.

No Dia Nacional das Bibliotecas Escolares, contou-nos que nunca mais esqueceu o limpa-vias, aquela personagem de José Rodrigues Miguéis que trabalhava no metropolitano e alimentava a família com os grãos de arroz que caíam dos casamentos na igreja, no passeio. Os livros, os professores, a vida... são bagos de arroz que podemos semear e a que podemos atribuir significado. Para sermos o que quisermos, pois o saber é um poder para a vida.

A CIRURGIA DA ADVOCACIA

Com ar sério, composto, cabelo pelos ombros, declarava solenemente no seu 10º ano: "Quero ser cirurgião plástico". Não médico de qualquer especialidade, mas determinadamente cirurgião plástico. Hoje é advogado.

Veio à Fernão Mendes Pinto contar como cabulava, como saltitou de disciplina em disciplina e fez três 12º anos! Mas valeu a pena. Estudou Geologia e Física antes de seguir Direito. Hoje reconhece que o seu percurso errante o ensinou a gostar da sua profissão e que "fez sentido ter estudado determinadas obras numa fase em que isso não fazia sentido, para lhes dar valor mais tarde". Foi o que lhe sucedeu com Aparição e Os Maias. Cabuladas uma primeira vez, tornaram-se mais tarde obras de referência que lhe ensinaram a filosofia existencialista ou a mestria queirosiana, tão atual na crítica social, em As Farpas, exemplificou.