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No âmbito do Workshop de Escrita e Imaginação, Acção e Leitura! realizado na Casa das Histórias Paula Rego, sob a orientação do escritor Gonçalo M. Tavares e do actor e encenador Tónan Quito, partilha-se agora um conjunto de pequenas histórias que tiveram como ponto de partida a obra de Paula Rego, também ela rica na apropriação das mais diversas fontes narrativas.
A narração de histórias produzidas surge da necessidade de tornar presentes as possibilidades discursivas, pontos de vista do entendimento privado das imagens e das palavras, imprimindo à obra de Paula Rego uma nova dimensão, de ficção, onde todas as histórias podem ser contadas.
26 de Junho
16h00 (aconselhável a +16 anos) duração aprox 30 minutos
Jardim
Entrada livre
Adriana Pardal,
Directora da CHPR
Elisabete vestiu o seu fato antigo. Mal lhe servia. Embora já não dançasse, gostava de assistir aos ensaios das outras.
Observava-as.
Ela também já tivera um pescoço assim… infinito.
Olhou para o espelho e ensaiou um gesto com os braços! Pareciam trambolhos!
Às vezes ainda tinha vontade de desafiar a gravidade e a idade, mas estava pesada, sentia-se como as avestruzes. Não que gostasse de enfiar a cabeça na areia, mas tal como elas, tinha desaprendido de voar.
Cecília Lourenço, Professora da Equipa da Biblioteca Escolar
Casa das Histórias Paula Rego. Gonçalo M. Tavares, escritor. Tónan Quito, actor. Escrita e Imaginação, Acção e Leitura!
Este foi o rol de elementos que nos fizeram aderir a dois fins-de-semana de escrita narrativa, a partir de obras (ou de pormenores de obras) da internacionalmente conhecida Paula Rego.
Os quadros da pintora davam o mote. O escritor Gonçalo M. Tavares (vencedor do Prémio Literário José Saramago 2005, entre outros) introduzia e despertava, com perícia, diversas técnicas de construção e desconstrução textual.
E assim surgiram alguns textos, em diferentes estilos.
No fim-de-semana da morte de Saramago, a venda dos seus livros aumentou exponencialmente e muito se escreveu acerca do escritor e do homem.
Alguns (entre eles os que não leram a sua obra ou os que desconhecem as regras de pontuação) gostam de evocar Saramago e a sua obra para legitimar a falta de pontuação ou o não saber pontuar textos. Nada de mais errado. Os livros de Saramago aproximam a sua escrita da narrativa oral e todo o uso de pontuação tem uma lógica interna. Lógica, aliás, que torna muitos deles uma verdadeira obra de arte.
Isabel Coutinho, jornalista do Público, no seu Ciberescritas, explica bem a técnica do escritor que brinca com a pontuação.