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Uma História de Amor

Caderno de Memórias Coloniais é a "história de uma rapariga que vivia em Lourenço Marques, hoje Maputo, e onde a cor da pele era factor de discriminação".

A obra "é uma história de amor e de ódio entre pai e filha. É também a história de alguém que se sente desterrada, abandonada. Há também uma espécie de iniciação à vida adulta".

Foram estas as palavras da autora, para explicar o seu segundo livro publicado, que tanta curiosidade tem despertado na sociedade em geral (já vai na 3ª edição) e na comunidade educativa em particular. É o livro mais procurado na Biblioteca Escolar, mas que aguardava a apresentação de Isabela Figueiredo para depois ser disponibilizado aos alunos. E porquê este pudor?

Porque, como a própria escritora reconhece, "é um livro forte, violento, com uma linguagem por vezes brutal", recurso estilístico de que a narradora precisa para traduzir a violência. "A linguagem da bolinha vermelha não é gratuita. Como se fosse uma hipérbole”, explica. "A linguagem é hiperbólica".

Isabela Figueiredo, pseudónimo literário de Isabel Figueiredo Santos criado com base num anúncio de um perfume, clarificou e exemplificou as vozes que surgem na sua obra: "A voz que se exprime na 1ª pessoa é a minha narradora".

Tal como já esclarecera os leitores aquando do lançamento do seu livro na Fnac Almada, em Janeiro de 2010, a escritora partilhou o quanto o silêncio lhe é caro no acto da escrita, perscrutando vozes dentro de si, várias vozes, da narração à reflexão, num acto de omnisciência que espelha os pensamentos das personagens.

Acontece com os livros

Acontece com os livros o mesmo que com os homens: um pequeno grupo desempenha um grande papel.

Voltaire

Na Quinzena da Leitura, os leitores foram conquistados

De fantasia e da conquista do leitor falou-nos António Barreira, professor de História de Artes na Fernão Mendes Pinto.

STIEG LARSSON é a grande atracção da juventude. Quem antes pensava não gostar de ler ou ser possível partilhar um livro com o Farm Ville e, em simultâneo, ver televisão ou ouvir música, com a trilogia do autor entendeu que só a leitura é já demasiado envolvente. E consegue devorar, em menos de nada, A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo, Os Homens que não amavam as Mulheres ou A Rapariga do Palácio das correntes de ar.

O Nariz e outros livros

Chama-se Luís Vieira, frequenta o 11º5, num Curso de Línguas e Humanidades. Sentiu-se atraído por Nikolai Gógol, escritor russo, e decidiu apresentar a obra Nariz, na "Conversa de café com livros", na "Quinzena da Leitura e da Cultura 2010".

Num diálogo descontraído, este aluno de Literatura provocou a assistência: "E se num dia, ao tomarem o pequeno-almoço, descobrissem um nariz dentro de um pão? E se acordassem sem nariz?"
As reacções não se fizeram esperar: repulsa, atracção, o imaginário a pulsar...e a puxar os leitores para o universo da leitura, através de uma obra tão ficcional quanto literária, que confunde o leitor, que brinca com ele e o torna atento. Qual a voz que ora se manifesta? O narrador? A personagem? Que personagem?