
Após a visita aos aposentos dos duques de Bragança, em Vila Viçosa, e o reconforto com os deliciosos manjares alentejanos no Restaurante Medieval, já em Évora, a tarde de 8 de Maio foi dedicada a um roteiro histórico-literário, inspirado em Aparição, de Vergílio Ferreira.
Maria Reis, Guia da Associação de Guias e Intérpretes do Alentejo (AGIA), acompanhou-nos, sob copiosa chuva, pelo centro histórico e pelos principais monumentos eborenses. Da Livraria Nazaré, na Praça do Giraldo, ao Jardim Público, aonde Alberto ia visitar Florbela (Espanca), passando pela Sé, pelo Templo de Diana e pela “Évora mortuária” representada na Capela dos Ossos, sem esquecer a Universidade nem o miradouro que, não fora a pluviosidade e a neblina, nos teria permitido avistar o Alto de São Bento, a história de Alberto Soares, professor de Português e Latim no então Liceu de Évora, foi sendo narrada, evocando personagens e locais, ora reais, ora fictícios, com a liberdade que o autor Vergílio Ferreira (também ele professor em Évora) e o narrador autodiegético (i.e., na primeira pessoa e como agente principal da narrativa) quiseram imprimir ao romance.
Contudo, o significado profundo da obra vergiliana não se reflecte na dimensão cronológica dos factos narrados, inexistente em Aparição, mas antes nas reflexões filosóficas que vão sendo feitas sobre a vida e a morte, reflexões a que não falta a dimensão transcendental da Arte, em particular da música: “A evidência da vida não é a imediata realidade mas o que a transcende…”;“A arte não era para mim um mundo da letra impressa, uma estúpida invenção de passatempo ou de vaidade: era uma comunhão com a evidência…”(p.36).